quarta-feira, 26 de maio de 2010

Redd pode reduzir desmatamento na Amazônia em 50%, diz pesquisa

Previsão até 2019 considera investimento de cerca de R$ 11,1 bi.
Segundo estudo, maiores beneficiados seriam grandes proprietários.


O desmatamento na Amazônia brasileira entre 2008 e 2019 poderia ser reduzido pela metade se fossem investidos cerca de US$ 6 bilhões (R$ 11,1 bilhões) em serviços de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, conhecidos como Redd, considerando o valor atual do preço do carbono por tonelada, que é de cerca de US$ 3 (R$ 5,5).

De acordo com Jan Börner, um dos autores da pesquisa, a previsão considera apenas o potencial econômico dos pagamentos por serviços ambientais. "O potencial é grande, mas depende de regularizar a questão fundiária porque, para implementar pagamentos por Redd, existe a condição de ter direito exclusivo da terra, o que só ocorre em 25% dos casos", diz ele.

A pesquisa também simulou como seria feita a distribuição de renda em diferentes aplicações de Redd na Amazônia brasileira. "O serviço pode pagar um valor para todos ou, por exemplo, quem tem mais floresta poderia receber mais do que quem tem floresta degradada", diz Börner.

Levando em conta a questão financeira, a conclusão da pesquisa foi de que os pagamentos por serviços ambientais, se começassem a ser implantados agora, beneficiariam sobretudo grandes proprietários. Para os pesquisadores, grandes poprietários têm mais de 100 hectares de terras e suas áreas desmatadas são, geralmente, maiores do que 20 hectares. São eles, segundo a pesquisa, os responsáveis por 80% do desmatamento nos últimos anos.


Börner destaca o Programa Terra Legal, vinculado ao Ministério de Desenvolvimento Agrário, como uma forma pragmática de resolver a questão fundiária de pequenas propriedades. "Mas o problema é maior para desmatamentos em grande escala, que muitas vezes acontecem em terras griladas e em função de poderosos interesses econômicos", diz o pesquisador.

Por meio de um sistema na internet, ainda em fase de teste, os pesquisadores permitem que qualquer um possa calcular que investimentos seriam necessários para preservar determinadas áreas na floresta. Para saber isso, basta entrar no site de apoio da pesquisa e selecionar a área direto em um mapa.

Peru anuncia 10 mi de hectares para exploração de petróleo na Amazônia

Área equivale a pouco mais do que duas vezes o estado do Rio.
Mapa foi redesenhado para respeitar terra de índios isolados.



O governo do Peru anunciou na última sexta-feira (21) a abertura de processos de licitação para exploração petrolífera em 25 novos lotes de terra localizados na Amazônia do país. A agenda de concessões para 2010 segue até outubro e abrange uma área não explorada na floresta de 10 milhões de hectares, equivalente a pouco mais do que duas vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro.

Dos novos lotes apresentados pela Perupetro, empresa estatal do setor no país, apenas um está fora da Amazônia e possui 314 mil hectares. Entre os outros, todos na Amazônia, a novidade está no redesenho do Lote 110, localizado na bacia do Ucayali, próximo a fronteira com o Brasil, no Acre. Pertencente a brasileira Petrobras, o lote aparecia no mapa do ano passado, mas em 2010 foi extinto e redividido em novas concessões.

Isso ocorreu em respeito aos limites da reserva indígena dos murunahua, também conhecidos como chitonahua. Vivendo de maneira isolada no país, os índios tinham sua reserva ameaçada pelo avanço das empresas petrolíferas. Agora, com a nova configuração, ao menos dois novos lotes, o 188 e o 189, foram instituídos bem ao lado dos murunahua, mas sem invadir seu território.

Organizações não governamentais como a Survival International chamam a atenção para o perigo que podem correr índios isolados no Peru com a evolução da atividade petrolífera no país. De acordo com a ONG, alguns dos murunahua foram contactados pela primeira vez em meados do anos de 1990 e, na ocasião, metade dos índios faleceu por conta de uma gripe.

De acordo com a Associação Interétnica da Selva Peruna (Aidesp), o crescimento da exploração de petróleo e gás natural na Amazônia peruana também ameaça outros povos. Em nota publicada no fim da semana passada, a associação informou ter enviado nova carta às autoridades lembrando sobre a presença de populações em áreas destinadas à exploração. Previsto nas licitações para 2010, o lote 177 seria uma dessas áreas, onde vivem ao menos duas comunidades.